A MAÇONARIA E AS MARCAS DOS MAÇONS

Extrato da ARS Quatuor Coronatorum Vol. 3 Pt. 1 de 1889
Pesquisa elaborada pelo irmão Thomas Hayter Lewis
lida na Loja Quatuor Coronati nº 2076 em Londres
Traduzido por Samuel Benedicto

 

O

 

 artigo no qual este se fundamenta foi lido por mim em Glasgow, em 1888, e está impresso nas Transações da Associação Arqueológica Britânica. Naquela ocasião, referia-se principalmente a marcas modernas, e eu o reescrevi de forma diferente e ampliada a pedido do nosso incansável Secretário, com especial referência à parte antiquária do assunto, a saber, desde os tempos mais remotos até o século XIII, com apenas referências casuais aos tempos modernos.

Deve, contudo, percorrer muito do mesmo terreno que o anterior e, por isso, peço a paciência e tolerância de nossos irmãos a este respeito.

Devo também, de início, expressar minha grande gratidão ao Irmão Gould por sua admirável história de nossa Ordem. Eu não tinha ideia, até lê-la, de que ele poderia ter reunido um estoque tão grande de informações sobre cada parte do assunto e dominado tantos pontos difíceis relativos à minha própria profissão. Devo olhar, entretanto, para o assunto de um ponto de vista diferente, ou seja, a partir de um levantamento dos próprios edifícios, em nosso país e na Palestina, principalmente nos séculos XII e XIII, deixando as evidências documentais para serem obtidas de seus escritos e dos do Sr. Fort e outros.

Para resumir a questão: proponho mostrar que havia um certo estilo distinto de maçonaria, bem como de arquitetura, tanto aqui quanto na Palestina, por volta de meados do século XII; em segundo lugar, que houve outro tipo peculiar de maçonaria e marcas de ferramentas do século XIII, quase desconhecido na Inglaterra até perto da época em que os Cruzados foram expulsos de Jerusalém, ou seja, em 1187; e que as fileiras mais baixas da muralha que sustentava a plataforma do Templo ali apresentam o exemplo mais oriental e, possivelmente, o mais antigo das marcas de ferramentas do século XIII. Dou este exemplo simplesmente para ajudar a provar sua origem distintamente oriental. Além disso, proponho mostrar que a arquitetura dos Cruzados na Palestina foi projetada e executada principalmente sob a supervisão de arquitetos e maçons ocidentais, e que houve uma forte influência oriental na maçonaria do século XIII na Inglaterra após o retorno dos Cruzados.

O tipo de maçonaria ao qual aludi primeiro foi aquele que usualmente chamamos de Normando. Desenvolveu-se no final do século XI, tornou-se mais refinado em meados do XII e foi então superado pelo belo Early English (Inglês Primitivo); a primeira dessas datas coincidindo quase exatamente com a captura de Jerusalém, em 1099, e a última com sua recaptura pelos curdos sob Saladino, em 1187.

A maçonaria dos normandos, em seus estágios iniciais, era muito rudimentar, sendo composta de pedras de vários tamanhos, com juntas largas e ásperas; mas no século XII tornou-se altamente acabada, as pedras bem esquadrejadas, de um tamanho muito menor do que as usadas no século XIII, com juntas fechadas e admiravelmente montadas, sendo o efeito total tão bom e peculiar que será reconhecido imediatamente onde quer que os normandos tenham construído. Possui, também, uma peculiaridade definitiva, a saber, o cinzelamento cruzado (cross tooling), que não foi usado em nenhum outro estilo, e que se apresenta em linhas paralelas, sempre diagonalmente através da superfície se esta for plana, mas seguindo as linhas de arcos, molduras e outras superfícies curvas.

Para mostrar o valor dessas marcas de ferramentas como modo de identificação, citarei as palavras do conhecido antiquário, Mons. Clermont Ganneau, que não conhecia seu uso no trabalho normando, mas que ficou impressionado com elas em suas pesquisas na Palestina. Ele as descreve com considerável detalhe e diz que "todas as pedras que mostram o que chamo de acabamento medieval foram trabalhadas pelos Cruzados. Surgiu com eles e desapareceu com eles". Além disso, aquele observador preciso, Major Conder, diz que "a maçonaria é suficiente para classificar os edifícios, a saber, o acabamento diagonal, que não existia em trabalhos anteriores às Cruzadas".

Pessoalmente, não conheço nenhum caso de tais marcações sendo usadas em qualquer outro estilo, nem em qualquer lugar após o século XII, e, quando as encontramos, não importa quão longe a leste, podemos rastreá-las distintamente até a influência normanda. Nem foi por eles adquirida na Palestina.

Ela aparece, quase como marcas de serra, em nossos edifícios antigos; e o acabamento diagonal, muito rudimentar e grosseiro, feito, sem dúvida, pela enxó, é distintamente mostrado no trabalho bruto dos períodos anteriores do estilo.

Não tenho a menor dúvida de que este trabalho normando foi distintamente o produto da arte ocidental e que foi importado para a Palestina, Sicília e onde mais tenha sido encontrado na época dos Cruzados. Não havia nada parecido na Palestina, tanto quanto eu saiba, antes desta época.

A imensa quantidade de trabalho executado por eles foi em uma extensão insuspeitada, creio eu, pela maioria das pessoas.

O Dr. Cunningham Geikie apresenta os fatos claramente. Ele diz que "cada parte do país dá testemunho da gigantesca energia das nações ocidentais; grandes fortes, igrejas, hospedarias, sendo construídos como se para durar para sempre. A Palestina deve ter sido tão densamente coberta de igrejas quanto a Inglaterra é agora (tão poderosa era a força viva do mundo ocidental há 700 anos)". Conheço o país razoavelmente bem e endosso inteiramente as declarações do Dr. Geikie.

Quase todas essas obras poderosas foram erguidas nos poucos anos entre 1140 e 1180; todas foram projetadas no mesmo estilo e todas do mesmo tipo de edifícios semelhantes erguidos ao mesmo tempo na Europa. Foi o grande tempo de construção lá como na Palestina, e por volta da era de nossas grandes Abadias Cistercienses na Inglaterra.

Perto do fim deste período, houve uma mudança aparente na maçonaria que Mons. Ganneau nota assim: "Observei outro grupo de pedras também trabalhadas obliquamente, mas nas quais os cortes são representados por uma série de linhas pontilhadas. Estas pertencem à mesma época que as outras?"

Esses pontos são os restos dos sulcos profundos da ferramenta de garra (claw tool), tendo a superfície sido parcialmente desgastada.

Já no final do século XII, surgiu na Inglaterra aquele estilo belo (o Early English) que mantém os contornos gerais das formas normandas, mas claramente demarcado do normando por seus detalhes primorosamente belos, que o distinguem, também, claramente, das obras francesas do mesmo período; e com a mudança de estilo vieram ferramentas alteradas e modos alterados de trabalhá-las. O acabamento diagonal nítido foi abandonado e, em seu lugar, foi usada a ferramenta de garra a que me referi acima, sendo os golpes geralmente verticais onde as superfícies são planas, mas seguindo as linhas de curvas e molduras como no trabalho normando.

Através da gentileza dos jovens Srs. Poole (gerentes da Messrs. Bayne), que sucederam seu pai como Mestre Maçom da Abadia de Westminster, posso mostrar-lhes alguns espécimes desses diferentes modos de cinzelamento.

Também mostro a vocês um espécime de cinzelamento de garra muito delicado que encontrei durante uma visita recente a Jerusalém.

Essas mudanças haviam, sem dúvida, sido esboçadas em edifícios no período tardio do estilo normando, mas, no entanto, o contraste entre espécimes característicos dos dois estilos é tão claro e nítido que é totalmente inconfundível: e embora você encontre instâncias da ferramenta de garra sendo usada durante o período de Transição, não consigo me lembrar de quase nenhum caso em que o acabamento diagonal tenha sido usado após o advento do puro estilo Early English.

Ora, de onde veio este cinzelamento de garra? Não foi uma invenção do século XIII. Você pode rastreá-lo, eras antes de ser conhecido na Inglaterra, através da Itália e da Grécia até a Palestina. Não consigo rastreá-lo mais a leste.

Para não cansar vocês com muitos exemplos, posso dizer, resumidamente, que foi usado no século VI no grande mausoléu de Teodorico em Ravena, uma obra singular coberta por uma única pedra, cortada como uma cúpula, com 41 pés e 9 polegadas de diâmetro externo, pesando cerca de 200 toneladas. Não há nada parecido na Europa, e De Vogüé afirma que possui uma forte semelhança com muitos edifícios em Antioquia, e ele acredita ter sido obra de Maçons sírios trazidos pelos bizantinos. Muito antes, o cinzelamento pode ser encontrado em quase todos os monumentos do Fórum em Roma onde o trabalho de ferramenta é visível. Atravessando o Adriático, você o encontrará no grande Anfiteatro Romano em Pola. Mais a leste e séculos antes (409 a.C.), essas marcas bem conhecidas são encontradas no mármore do belo Erecteion em Atenas e, ainda mais a leste, naquelas do grande Teatro em Éfeso.

Agora chegamos a Jerusalém. O túmulo escavado na rocha da Rainha Helena, do século I d.C., cerca de 1000 anos antes das Cruzadas, foi finalizado com a mesma ferramenta familiar.

Assim também foram as pedras do lugar de lamento dos judeus (Muro das Lamentações) e as famosas pedras de fundação da colossal muralha do Templo. Mais a leste, não consigo encontrar nenhum vestígio disso em tempos antigos, embora a enxó serrilhada seja agora a ferramenta comum por lá.

Conheço razoavelmente bem os grandiosos restos de templos e túmulos no Egito, mas as poucas marcas deixadas, pelo que pude encontrar, foram feitas com uma ferramenta plana. Pode, talvez, interessar aos nossos irmãos saber que o principal exemplo que notei, a saber, a abóbada dos Túmulos de Ápis em Sakhara, mostra o mesmo tipo de marcas de cinzel (plano e com 5/8 de polegada de largura) que as encontradas nas grandes pedreiras de Jerusalém, de onde se supõe que as pedras para o Templo tenham sido retiradas.

Da Assíria e da Babilônia nada sei, exceto pelos espécimes em Museus, mas o resultado, pelo que posso ver através deles, é o mesmo do Egito.

Além dos limites do Egito e da Mesopotâmia, não conheço edifícios de interesse hoje existentes que mostrem habilidade maçônica anterior ao tempo de Salomão, exceto aqueles na Grécia, que são usualmente chamados de Pelasgos. Aqueles em Tirinto e Micenas estão, em geral, muito desgastados pelo tempo para serem citados; mas por acaso estive neste último lugar logo após Madame Schliemann ter limpado um dos túmulos até então enterrados, e ali vi várias pedras que tinham sido ligeiramente movidas, de modo a mostrar os acabamentos tanto das bases quanto das bordas. Mas nenhuma marca de ferramenta distinta podia ser vista.

Ora, a data das muralhas da área do Haram em Jerusalém é objeto de grande controvérsia, mas, assumindo no momento que suas fundações foram realmente obra de Salomão, elas parecem mostrar o uso mais antigo desta ferramenta antiga e peculiar, tão bem conhecida pelos nossos Maçons ingleses do século XIII. Trouxe para sua inspeção uma planta ampliada da área do Haram especialmente para mostrar as posições do lugar de lamento dos judeus e o ângulo sudeste, cujas pedras de fundação jazem agora a uma profundidade de 80 pés abaixo da superfície atual do solo.

Elas foram descobertas por nosso Past Master Col. Sir C. Warren, que afundou poços em inúmeros lugares; e, ao abrir túneis e galerias a partir deles sob circunstâncias de grande dificuldade e perigo, pôde fazer desenhos precisos de muitas das partes principais das muralhas, com cada pedra descoberta tendo sua posição, dimensões e características cuidadosamente marcadas.

Quanto às datas e construtores das muralhas, temos as opiniões do Col. Warren, Col. Wilson e Major Conder, três homens que estão qualificados acima de todos os outros para nos aconselhar, mas acontece, infelizmente, que eles estão irremediavelmente em desacordo. O Col. Warren considera que as pedras de fundação do canto sudeste estão em sua posição original e eram parte do trabalho de Salomão; o Col. Wilson acredita que elas foram removidas de outras posições e agora formam parte da muralha de Neemias, talvez (c. 457 a.C.), enquanto o Major Conder atribui tudo a Herodes, o Grande (c. 20 a.C.).

Os poços e galerias foram todos fechados antes da minha primeira visita a Jerusalém; mas acredito que nosso Past Master Simpson chegou a tempo de descer, e ele, espero, nos dará o benefício de sua visita. Parece-me que, no que diz respeito ao nosso interesse atual nesta questão (a saber, a data das muralhas e seus construtores), a opinião do Col. Wilson não é tão diferente da do Col. Warren quanto pode parecer à primeira vista: pois se for admitido que as pedras não estão em sua posição original (sobre o que o Col. Wilson me deu, pessoalmente, suas razões), mas foram colocadas onde estão por Neemias, não conheço nenhum outro construtor senão Salomão que poderia tê-las colocado onde originalmente estavam.

Isso se aplica também à maçonaria do lugar de lamento dos judeus, que Sir Charles também acredita ser uma reconstrução. A objeção do Major Conder é mais radical. Suas razões são detalhadas demais para serem dadas aqui, e não tenho certeza se as acompanho corretamente, mas qualquer opinião dele merece uma consideração muito atenta.

Quanto a mim, aventurarei apenas oferecer algumas sugestões que me ocorreram durante o estudo do assunto para um propósito diferente do atual. Uma refere-se à maçonaria da grande muralha da Mesquita em Hebron, que se admite ser semelhante à das muralhas de Jerusalém, e é muito provavelmente da mesma data: mas não há registro de qualquer trabalho tendo sido feito em Hebron nem por Salomão nem por Herodes.

Josefo dá uma lista das obras de Salomão além daquelas em Jerusalém, e elas referem-se apenas à construção de cidades fortemente fortificadas; de modo que uma muralha de fechamento como a de Hebron poderia muito bem ter sido omitida. Mas Josefo dá também (tanto em suas Antiguidades, XV e XVI, quanto em Guerras, I), longas listas detalhadas das obras de Herodes, muitas de tão pequena importância que a omissão de uma obra tão sagrada como a de Hebron é notável.

Novamente, foi notado que alguma maçonaria, supostamente do tempo de Herodes, possui cinzelamento cruzado e moldagem (drafting) peculiar. Mas isso é agora distintamente visível no Erecteion em Atenas, como o Major Conder notou e como posso testemunhar pessoalmente, o qual foi concluído cerca de 400 anos antes do tempo de Herodes.

E, finalmente, as famosas pedras de fundação estão marcadas com caracteres que se admite serem fenícios; e foi um arquiteto fenício, com operários fenícios, que construiu as poderosas muralhas de Salomão.

O Major Conder observa que tais caracteres foram usados em moedas e edifícios até o tempo de Herodes e as marcas não podem, portanto, ser consideradas evidências decisivas quanto à data; mas parecem dar, pelo menos, um forte fundamento presuntivo para a crença de que, nestas esplêndidas pedras de fundação, podemos ver o trabalho real do fenício Hiram para seu grande mestre Salomão.

Em relação ao caráter fenício do cinzelamento, permitam-me mencionar um fato um tanto curioso, a saber, que muitas das placas inscritas no Museu Britânico, trazidas de Cartago, e que o Sr. Renouf me diz provavelmente variarem de 100 a.C. a 100 d.C., têm como base este mesmo cinzelamento, não sendo tal base encontrada, até onde sei, em qualquer outra placa inscrita no Museu: e um dos objetos fenícios mais curiosos no Louvre, trazido da Síria por Mons. Renan, é trabalhado por inteiro com esta ferramenta.

Um exemplo singular de marcas de ferramenta é encontrado nos restos do Templo de Diana trazidos de Éfeso pelo falecido Sr. J. T. Wood. Aqueles do Templo posterior foram claramente trabalhados com a ferramenta de garra, mas não há vestígio disso naqueles do Templo anterior construído no tempo de Creso.

Mas se este cinzelamento foi, em sua origem, fenício ou se foi grego, não afeta minha afirmação do fato de que veio até nós do Oriente, e creio ter mostrado, como propus, que este tipo distinto de marca de ferramenta foi usado no Oriente desde tempos muito remotos, que foi introduzido na Inglaterra no final do século XII, ou seja, na época mais antiga da nossa bela arquitetura Early English, e que rapidamente superou outro estilo, cuja origem fora no Ocidente.

Posso finalmente lembrá-los de que uma questão está pendente no momento a respeito da autoria de algumas das melhores esculturas existentes, a saber, aquelas na Acrópole de Atenas, até agora atribuídas a Fídias, a resposta para a qual depende do cinzelamento, visto que uma parte considerável é agora afirmada ter sido trabalhada com uma ferramenta particular que se sabe ter sido inventada após o tempo dele.

Agora chego às Marcas de Maçons.

Dificilmente preciso dizer que estas são encontradas na maçonaria, antiga e medieval, e ainda estão em uso entre nós para distinguir o trabalho manual de um Maçom de outro, sendo hoje conhecidas como marcas de bancada (banker marks), e profundamente cortadas na base da pedra, de modo a serem muito proeminentes até que as pedras sejam colocadas em posição. Mas geralmente, nos tempos antigos, elas eram cortadas na face com linhas muito delicadas, de modo que muitas vezes são difíceis de detectar, a menos que sob boa luz; mas podem ser encontradas através de busca cuidadosa na maioria das maçonarias medievais.

Através da gentileza do Sr. Poole, que, até sua merecida aposentadoria, foi Mestre Maçom da Abadia de Westminster, posso trazer perante vocês decalques de algumas das marcas de lá, que mostrarão quão delicadamente foram cortadas. Às vezes, porém, nos tempos antigos, elas eram cortadas na base da pedra, como encontrei em uma coluna derrubada na mesquita em ruínas de Amra, no Cairo; e outras marcas foram encontradas em Ascalão, na Palestina, e em Amã, em Moabe.

Em relação aos edifícios medievais, tenho uma lista que me foi dada pelo Sr. Irvine (o zeloso e cuidadoso mestre de obras do Sr. Ferrey e Sir G. G. Scott em Wells, e agora encarregado das obras da Catedral de Peterborough para o Sr. Pearson) a partir das bases das pedras deterioradas que tiveram de ser removidas da fachada oeste de Wells. Elas são menos elaboradas do que o habitual, e acho provável que marcassem as posições pretendidas das pedras.

Tenho também um conjunto elaborado de marcas enviado a mim pela gentileza do Sr. Herbert Carpenter através de seu mestre de obras (Sr. Smith), em Sherborne, tendo sido encontradas nas bases de um conduto construído ali em 1510.

Sem dúvida, muitas outras poderiam ser encontradas em posições semelhantes, mas, em geral, as marcas antigas e medievais eram colocadas na face. O assunto é muito vasto e, neste artigo, referir-me-ei principalmente às marcas encontradas neste país (Inglaterra) e nos países orientais que estão aparentemente relacionados com a sua história antiga. A tentação de referir-se àquelas da França, Alemanha, Constantinopla, etc., é muito grande, mas tornaria este artigo de uma extensão excessiva.

Anexo uma lista das marcas mais características, organizadas na ordem de sua presumida antiguidade. Além do que disse neste artigo, tenho que expressar minha gratidão ao Irmão Purdon Clarke por algumas contribuições persas, e ao Sr. Pearson, R.A., e ao Sr. Whitley de Coventry pelas listas gentilmente cedidas a mim.

Na busca por pelo menos uma fonte da qual nossas marcas derivaram, fui levado a recorrer aos caracteres rúnicos por sugestões feitas pelo Sr. Fort e pelo bem-conhecido antiquário francês, Mons. D. Rameé (Manuel de l’historie d'Architecture). Não sei quase nada sobre runas além do que aprendi pela Archeologia e fontes similares de informação, e os únicos espécimes de grande extensão que vi são aqueles no conhecido Maeshowe em Kirkwall. Mas as Runas carecem inteiramente das formas mais características de nossas marcas, nem pude encontrar qualquer semelhança muito clara com as letras rúnicas nas inúmeras marcas da catedral vizinha de Kirkwall.

Volto-me agora para os países orientais e noto algumas das mais notáveis. As marcas mais antigas que se conhece existirem hoje são as encontradas pelo Col. Vyse nas Câmaras da Grande Pirâmide de Gizé. Concordo plenamente com a opinião do falecido Dr. Birch de que estas não são estritamente de Maçons, mas marcas de pedreira. Mas algumas delas exigem atenção especial, visto que continuaram em uso, como Marcas de Maçom, através de todos os séculos até os tempos medievais e muitas até o presente. Aquela para a qual chamarei sua atenção aqui é o "P" grego, que, em uma forma ligeiramente alterada, é encontrado nas pedras de fundação da muralha do Templo em Jerusalém, foi amplamente utilizado pelos Cruzados e pelos nossos próprios Maçons nos séculos XII e XIII, e é uma das marcas nas quais Mons. Rameé baseia sua teoria rúnica.

Outra dessas antigas marcas egípcias guarda uma semelhança impressionante com alguns dos sinais que o Sr. Flinders Petrie descobriu em cerâmicas em Illahun, que provavelmente se classificam em data logo após as mencionadas acima e que ele gentilmente me permitiu copiar. E estas formas, muito ligeiramente variadas, foram continuadas na Pérsia, em trabalhos árabes a leste do Jordão e em edifícios dos Cruzados na Palestina. Mesmo no trabalho normando elas são às vezes encontradas. Mal preciso aludir ao + e suas variedades, pois ele ocorre em todas as eras, desde as mais remotas até o presente.

Em seguida a esta vem a forma semelhante ao alfa, que, desde a antiga forma egípcia até o presente, é proeminente em todas as épocas. O primeiro uso dela, entretanto, como marca, tanto quanto sei, é encontrado na coleção do Sr. Petrie em Illahun. De lá passou pela mudança como mostrado em Tel-el-Yahudeh para e então para suas formas ornamentais entre os Cruzados, etc. Outra letra de forma grega, o “E”, encontrada no Tel, foi usada, com pequenas variedades, em tempos antigos na Pérsia, em trabalhos dos Cruzados no norte da Síria e na Palestina. É singular que uma marca de forma tão fácil de fazer tenha sido pouco usada nos tempos modernos.

Outra forma, a "ampulheta", está também entre a coleção do Sr. Petrie e, em alguma forma muito ligeiramente modificada, foi usada em todas as eras desde então até o presente. Uma forma igualmente familiar, o pentalfa (pentagrama), também está em sua coleção, e tem sido amplamente usada em todas as eras e países até agora. Todas estas e outras com as quais não preciso incomodá-los são de origem egípcia: mas mais interessantes para nós são aquelas encontradas pelo Col. Warren nas pedras de fundação em Jerusalém.

Não há dúvida, como mencionei antes, que estes caracteres, qualquer que seja sua data, são fenícios, mas não descubro que nenhum deles (exceto, talvez, formas modificadas do P e p) tenha sido usado desde então como Marcas de Maçom. Minha própria impressão é que eram, como as da Grande Pirâmide, marcas de pedreira. Mencionarei apenas mais duas marcas antigas cujos protótipos não se encontram, tanto quanto posso apurar, no Egito. Ambas ainda estão em uso comum. A primeira é o bem conhecido "escudo de Davi" (estrela de seis pontas), cujo uso mais antigo, que eu saiba, foi pelos sarracenos. O Sr. Hyde Clarke aponta que ele era usado pelo Sultão em seus presentes aos Hadjis. Recentemente vi isso como a carga principal em um esplêndido estandarte, levado no funeral de um distinto árabe em Ramleh. A outra é a figura que se assemelha ao nosso número 4, o grego antigo ou fenício (r), do qual não consigo encontrar uso anterior ao da lista do Irmão Purdon Clarke da Pérsia, mas que, em forma quase inalterada, tem sido usado daquele tempo até hoje.

Ora, as mais antigas das marcas acima claramente tiveram sua origem no Egito e, de lá, apreendo, foram levadas pelos fenícios e gregos para outros lugares, assim como os germes de seus alfabetos escritos foram levados.

Mas uma reivindicação foi feita por uma ascendência indiana para algumas das mais tardias, a saber, o escudo de Davi e o tridente, sendo eles, sem dúvida, marcas de casta ou sagradas na Índia. Mas embora "Índia" tenha um som muito antigo, devemos lembrar o que o Sr. Fergusson afirmou enfaticamente: "que não existe um único edifício (nem uma única pedra esculpida) que tenha sido encontrado em toda a extensão da terra, que possa ser provado datar de antes" de Asoka, c. 250 a.C., e parece-me ser tão provável que os gregos, aos quais o desenho do escudo de Davi foi atribuído, possam ter levado estas marcas com eles através da Pérsia para o Oriente, tendo todas estas marcas provavelmente, então, um significado místico agora perdido.

Devo mencionar uma circunstância muito curiosa: ao examinar cuidadosamente há pouco tempo a maçonaria daquelas grandes abóbadas (os estábulos de Salomão) em Jerusalém, em companhia do Sr. Petrie e do Dr. Chaplin, encontramos em uma das pedras de arranque do arco estas marcas. A data da abóbada é matéria de disputa, tendo as grandes pedras com as quais foram construídas sido claramente reutilizadas de algum edifício anterior.

Creio que podemos assumir como certo quanto ao que foi dito acima: que a maioria dos sinais característicos agora chamados de Marcas de Maçom foram originalmente desenvolvidos em um período muito remoto no Oriente, e têm sido usados como sinais distintivos de algum tipo através da Idade Média na Pérsia, Síria, etc., e de lá até o tempo presente. Que eles parecem ter sido introduzidos neste país no primeiro quartel do século XII, ou seja, muitos anos após a conquista de Jerusalém pelos Cruzados; que as mesmas marcas continuaram a ser usadas ao longo do século XIII e que, exceto pelo +, que era tão antigo quanto o Egito antigo, nenhum dos sinais tem qualquer conexão distinta com sinais ou emblemas cristãos. Disso apenas podemos, creio eu, estar certos. Além disso, minha própria visão é que estas marcas não eram dadas ou assumidas geralmente na Idade Média por Maçons comuns, como são agora, sob o propósito de identificar seu trabalho, mas que eram dadas apenas a Mestres Maçons (ou qualquer outro nome dado aos líderes), ou usadas para algum trabalho especial. Isso concorda com o fato notado pelo falecido Sr. G. E. Street, R.A., em Auvergne, a saber, que as marcas que ele encontrou estavam em pedras usadas em arcos e outros trabalhos superiores. Ele não encontrou nenhuma em paredes lisas, umbrais, etc.

Geralmente, as encontrei principalmente em pilares principais, com muito menos frequência em paredes e, nestas, nas fileiras inferiores. O Major Conder, que estudou este assunto, diz, muito justamente, que as marcas são artificiais demais para terem sido inventadas separadamente por raças diferentes, e ele sugere que foram resultados de uma conexão direta entre os primeiros emblemas e ideias religiosas da Ásia e o misticismo posterior da Europa.

Expus agora, tanto quanto meu conhecimento permite, os fatos gerais relativos à Maçonaria e suas Marcas. Mas quanto às deduções a serem feitas a partir deles, sinto-me apenas um aprendiz e não mais qualificado para julgar do que muitos de nossos irmãos aqui presentes; quanto a muitos deles, nem tanto. Mas minhas visões são estas:

1º.: Que o trabalho na Palestina executado no século XII pelos Cruzados foi tão extenso e possui tanto o mesmo caráter em maçonaria, molduras e outros detalhes, com outros trabalhos do mesmo período, a saber, o Normando de Transição e o Românico na Europa Ocidental, que devemos não apenas atribuir sua autoria às nações ocidentais, mas, além disso, a alguma fonte definitiva particular da qual derivou e através de cuja agência foi realizado tanto na Europa quanto na Ásia contemporaneamente. Dificilmente é necessário citar autoridades quanto a isso, mas posso citar as opiniões do Conde de Vogüé (Les Eglises de la Terre Sainte), que estudou cuidadosamente o assunto no local, e ele diz: "encontra-se na Terra Santa todas as tendências do ocidente e seus modos de construção, seus arquitetos da mesma escola, isto é, a ocidental". Novamente, "o trabalho é tão uniforme que não é possível atribuí-lo exceto a uma escola definitivamente formada".

2º.: Que não conheço outra escola como autoridade central além das grandes ordens religiosas.

Ninguém poderia ser melhor juiz de sua influência do que Viollet-le-Duc, e ele escreve assim: "As comunidades religiosas antes do século XIII incluíam tudo o que havia de homens de letras e saber". E um escritor posterior, W. H. White, que possui um conhecimento profundo da história da arquitetura francesa, afirma que "o projeto original dos grandes edifícios, durante os séculos XII e XIII, emanou da Abadia de Cluny, ou de homens ali treinados". Concordo com estas opiniões.

O trabalho dos Cistercienses em suas esplêndidas abadias de Yorkshire, construídas no mesmo estilo que as dos Cruzados, conhecemos bem; e para o trabalho na Palestina não tenho dúvida de que arquitetos treinados, mestres de obras e Maçons líderes foram enviados das grandes ordens na Europa; mas o trabalho manual real deve ter recaído, em grande parte, sobre a população nativa (parte cristã, parte muçulmana) acostumada a trabalhar sob a influência dos persas, cuja capital, Bagdá, foi o grande centro da arte oriental do século IX ao XIII.

Estes operários nativos estariam, a princípio, totalmente em sujeição aos Cruzados, mas muitos deles, com o passar do tempo, subiriam na escala do trabalho e, assim, gradualmente influenciariam, de várias formas, a arte ocidental de seus mestres. Acredito plenamente que eles realmente influenciaram, mais especialmente no uso importante do arco ogival que, devido à mesma influência oriental, já havia sido introduzido no sul da França.

Perto do final do século XII, o domínio dos Cruzados sobre a Palestina tornou-se muito inseguro e, em 1185, Heráclio, o Patriarca de Jerusalém, juntamente com os Grandes Mestres dos Hospitalários e Templários, deu ao nosso Henrique II as chaves do Santo Sepulcro como um apelo por ajuda. Ele então dedicou nossa igreja do Templo.

Em 1187 Jerusalém foi capturada por Saladino, e os cristãos foram logo depois expulsos de quase toda a Palestina, embora Antioquia não tenha sido tomada até 1268, nem Acre até 1291. E esta expulsão não foi meramente nominal, mas aplicada a cada cristão que não se tornasse muçulmano ou permanecesse cativo. Assim, devem ter sido forçados a ir para a Alemanha, França e Grã-Bretanha milhares de homens qualificados, acostumados a trabalhar sob a orientação das ordens monásticas e sob votos ou juramentos, mais ou menos rígidos.

Ao apontar isso, não tenho o menor desejo de sugerir que nosso belo trabalho Early English foi resultado da influência oriental, pois em nenhum dos trabalhos dos Cruzados na Palestina que vi, consigo encontrar traços definitivos de nossa adorável ornamentação ou outros detalhes. Tudo o que sugiro é que, por essa influência, o estilo normando foi gradualmente suavizado em detalhes, seus arcos redondos elevados para a forma ogival, e suas Marcas de Maçom e cinzelamento obtidos.

Admito também plenamente, como sempre fiz, que nos períodos iniciais do estilo ogival, os franceses estavam à nossa frente, como poderíamos supor pelo fato de que as sedes dos grandes mosteiros ficavam na França.

Mas, na época da expulsão, essas ordens haviam caído na rápida decadência que três quartos de século de poder e riqueza produziram e, assim, os laços pelos quais os trabalhadores da arte (e mais particularmente o arquiteto e o Maçom) estiveram ligados à vida monástica foram afrouxados, e o monge deu lugar ao leigo. Como diz Viollet-le-Duc: "uma vez escapada dos mosteiros, a arquitetura tornou-se uma profissão. O mestre das obras é um leigo. Ele pertence a um corpo e comanda operários que fazem parte de uma Corporação", e temos nomes como Geoffrey de Noyers em Lincoln, Pierre de Montereau em Paris e Hugh Libergier em Reims alcançando a fama. Mas devemos ter em mente que o treinamento dos primeiros arquitetos e Maçons deve ter ocorrido nos capítulos dos monges, e o resultado natural parece ser uma continuação leiga, até certo ponto, das organizações clericais, por meio de testes quanto à aptidão dos membros ingressantes para o aprendizado, e de aprendizes para o trabalho de mestres Maçons, todos estando sob a Direção de alguma autoridade central.

Sob nenhuma outra teoria posso conciliar o fato da mudança de estilo no final do século XII e a separação, a partir de então, entre o estilo da Inglaterra e o da França.

No período inicial do estilo normando, França e Inglaterra caminharam de mãos dadas em seu progresso, e este foi o caso, em grande medida, mesmo em seus trabalhos posteriores. Mas, após a expulsão da Palestina, a arte francesa e a inglesa seguiram caminhos bastante diferentes e a partir de centros distintos. Isso foi expresso de forma muito clara por Viollet-le-Duc em sua visita a Lincoln. Ele diz: "Eu esperava encontrar o estilo francês de arquitetura, mas não pude encontrar em parte alguma, qualquer traço da escola francesa do século XII, a escola leiga de 1170 a 1220. A construção é inglesa, os perfis das molduras (os ornamentos) pertencem à Escola Inglesa".

Aqui, então, temos uma escola de arte distintamente inglesa e ela deve, tanto quanto posso ver, ter sido regida por algum corpo central como os Franco-Maçons, unidos por laços antigos e, sem dúvida, por juramentos de segredo que eram comuns o suficiente nos tempos medievais. Não se deslocando de lugar em lugar em busca de trabalho, mas enviando, quando necessário, mestres habilidosos do Ofício para liderar os numerosos corpos de homens que eram mantidos em pagamento regular pelo rei, por cada grande igreja e cada grande cidade para executar suas obras.

Tais corpos são descritos por Sir G. Scott em seu relato sobre a Abadia de Westminster, e pelo Sr. Street em seu relato sobre a Espanha. O Sr. Fergusson vai um pouco além. Ele diz: "Os Maçons tornaram-se mais completamente organizados do que outros ofícios, capazes de realizar qualquer obra. Mas eles parecem nunca ter tentado exercer sua vocação exceto sob a orientação de algum personagem superior, seja um Bispo, um Abade ou um Leigo instruído. Na grande era da arte gótica, não há exemplo de um Maçom de qualquer grau fornecendo um projeto".

Nisto concordo inteiramente. Como disse em outro lugar, recuso-me absolutamente a acreditar que uma mudança tão grande quanto aquela do estilo Normando para o Ogival (Pointed), feita em tão pouco tempo, tenha sido o resultado de um desenvolvimento gradual; nem posso acreditar que tenha sido o resultado de qualquer parceria de mentes, sejam monges ou leigos, mosteiros ou guildas. Nenhuma grande obra no mundo foi feita até hoje que não tivesse alguma grande mente para iniciá-la.

Se o isolamento do Claustro ou da Guilda algum dia nos entregará essa identidade, pode-se razoavelmente duvidar; mas acredito firmemente que o estudo das marcas que os Maçons de outrora nos deixaram (um estudo tão em sua infância que deve sua origem apenas ao nosso falecido amigo George Godwin) pode, em última análise, levar-nos ao conhecimento do lugar de onde veio a influência da “mente mestra”.

Uma passagem na história da Normandia de Sir F. Palgrave deu-me fortes esperanças de aprender algo sobre isso. Ele diz, em seu relato sobre a fundação da grande abadia de Fécamp (dedicada em 996), "que os detalhes fornecidos por Dudo de St. Quentin mostram a distinção da vocação Maçônica, e o talento e a habilidade que o Ofício exigia. A busca diligente por um arquiteto competente prova que mestres qualificados da ciência eram raros". Este era o tempo de Cluny (fundada em 910), mas foi 100 anos antes de os Cistercienses iniciarem o trabalho. A citação parecia prometer algum discernimento sobre o que era feito então, mas, ao procurar na vida de Dudo nas edições latinas de 1619 e 1865 (Paris), não consegui verificar esta afirmação (não temos, creio eu, tradução para o inglês de sua vida).

Há uma descrição interessante da busca por um local adequado, o melhor tipo de materiais e outros detalhes, mas não consigo encontrar nada que lance luz sobre o objeto especial de minha busca.

Quanto aos juramentos que são usados em nossas cerimônias e aos segredos que não devem ser divulgados, devemos lembrar que juramentos de vários tipos eram comuns o suficiente nos tempos antigos e que, em nosso próprio Craft, temos um exemplo no poema maçônico, linha 437: "Todos jurarão o mesmo juramento".

E quanto aos tempos antigos, preciso citar apenas dois casos, em dois países diferentes, a saber, os dos Essênios na Palestina e as Sociedades Secretas em Roma, para mostrar isso. Quanto a Roma, cito o livro mais interessante de Sig. Lanciani, publicado recentemente, falando das Sociedades Secretas que, nos séculos III e IV d.C., compreendiam "os líderes da facção pagã e outros representantes da antiga aristocracia. Todo o partido era iniciado nos mistérios de seitas orientais secretas". À simbologia religiosa de uma destas Lanciani atribui as singulares figuras de mosaico de Pompeia de uma caveira e símbolos maçônicos que o Irmão Russell Forbes nos enviou para o nosso álbum. Lanciani diz ainda: "eles fazem uso de um tipo peculiar de fraseologia desconhecida nos tempos clássicos e evidentemente copiada de maneira ridícula de modelos cristãos. Eles testificam, com orgulho ilimitado, ter recebido o batismo de sangue de um carneiro ou de um touro. Homens eminentes, em sua maioria senadores do Império, foram iniciados nos mistérios horríveis e nos vários graus da seita". Quanto ao primeiro caso, tomo o seguinte relato que condensei do Bispo Westcott, que dá a substância do que foi contado por Josefo, Filon e outros: "O candidato passava por um noviciado de um ano, no qual recebia, como presentes simbólicos, um machado, um avental e uma túnica branca. Ao final desta provação, ele era submetido a um novo teste de dois anos (a membresia era então concedida) quando o noviço se vinculava por juramentos terríveis".

No entanto, as doutrinas tão solenemente guardadas parecem ser meramente aquelas dos Pitagóricos. Há, também, no artigo do Irmão Rylands sobre "A Maçonaria em Chester", sob a data de 1650, o seguinte: "Há várias palavras e sinais de um maçom a serem revelados a você, os quais você responderá perante Deus no grande e terrível dia do Juízo para manter em segredo". A ideia de existirem segredos em nosso Craft parece agora um tanto absurda, mas deixa de sê-lo se considerarmos as dificuldades de construção na cantaria de um grande edifício: os métodos de erguer as colunas delgadas do trabalho Early English, suportar os empuxos dos arcos, arcobotantes e grandes abóbadas, os ângulos dos pináculos octogonais e, acima de tudo, o arranjo geométrico e a proporção das várias partes, de modo a formar um todo gracioso e bem proporcionado.

Estes eram, muito possivelmente, segredos conhecidos apenas pelos qualificados, e eu poderia mencionar alguns que são quase segredos até agora. Não posso satisfazer o Irmão Gould provando que existiu uma Guilda suprema, mas sinto-me seguro de que nenhum corpo isolado de homens, ou de professores isolados, poderia ter iniciado, com poucos anos de diferença entre si, as molduras, ornamentos, o design geral e a maçonaria completamente formados do estilo Early English em lugares tão distintos como Lincoln, Chichester e Hereford.

Alguma organização de tipo avançado deve ter tido uma liderança principal no trabalho, e nenhum corpo desse tipo foi sugerido que possa competir com as reivindicações dos Franco-Maçons; e é uma parte importante da história onde se deve buscar os traços de tal liderança que nos deu as belezas requintadas de Lincoln e Salisbury, Ely e Winchester.

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Um pouco sobre Thomas Hayter Lewis

O Irmão Prof. Thomas Hayter Lewis, nasceu em 1818, e foi ex-vice-presidente do Royal Institute of British Architects, membro da Society of Antiquaries e Professor Emérito de Arquitetura do University College, Londres. Em 1877, foi iniciado na Loja Jerusalem, nº 197, Londres, e exaltado no Capítulo St. James, nº 2, em 1880. Foi autor de "Lectures on Architecture" (Palestras sobre Arquitetura), proferidas no University College; de "Ancient and Modern Architecture" (Arquitetura Antiga e Moderna), na nova edição da Encyclopaedia Britannica (sendo a parte medieval de autoria do falecido G. E. Street, R.A.); do "Annual Review of Architecture" de 1884-5-6, no Companion to the Almanac; do prefácio e das notas arqueológicas da tradução de Procópio por Aubrey Stewart (De Aedificiis - com notas geográficas de Sir C. W. Wilson); além de diversos artigos sobre temas variados nas atas (Transactions) do Royal Institute of Architects, da Biblical Archaeological Society, da British Archaeological Society e de outras associações.


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