A Lenda dos Quatuor Coronati

 do Manuscrito Arundel

Extrato da Ars Quatuor Coronatorum Vol. 1 de 1886 

Traduzido por Samuel Benedicto


lenda dos Quatuor Coronati é muito interessante para os Maçons porque, na lenda, tal como no Manuscrito de Arundel (uma transcrição das partes mais importantes que será apresentada a seguir), os Quatuor eram originalmente quatro artesãos chamados Claudius, Castorius, Simphorianus e Nicostratus, “mirificos in arte quadrataria”, que embora seja traduzido como “arte escultural”, significa literalmente “arte do lapidador” ou a arte de lapidar pedras. Eles são chamados distintamente de “artífices”, embora, como nos mostra a lenda, aos quatro artífices se juntem quatro milites; enquanto um tal Simplicius, convertido ao cristianismo pelos quatro durante o desenrolar dos acontecimentos narrados pela lenda, é acrescentado aos lapidadores, perfazendo um total de nove. Eles são declarados cristãos, “occulte”, ou seja, secretamente. Diocleciano ordenou que fosse feita uma imagem de Esculápio e, após um concurso e um diálogo com os “quinque Philosophi”, Simphorianus, que parece ser o líder e porta-voz, acrescenta Simplicius ao número (agora cinco) e recusa, em nome deles e com o consentimento deles, fazer a imagem. Eles são levados perante Lampadius, o tribuno, que, após consultar Diocleciano, ordena que sejam despidos e açoitados com escorpiões, “scorpionibus mactari”, e então, por ordem de Diocleciano, são colocados em “loculi plumbei”, caixões de chumbo, e lançados ao rio Tibre.

Um certo Nicodemos é dito ter levantado os caixões e transportado-os para sua casa; levavit, segundo a lenda.

Dois anos depois, Diocleciano ordenou que os soldados prestassem homenagem a uma estátua de Esculápio, mas quatro “Cornicularii” ou líderes da milícia da cidade recusaram-se a fazê-lo. Eles foram condenados à morte diante da imagem de Esculápio por golpes de plumbata, “ictu plumbatarum”, e seus corpos foram jogados nas ruas para os cães, onde permaneceram por cinco dias.

Então, Sebastianus, com o Papa Melquíades, teria recolhido os corpos e os enterrado no cemitério na estrada para Lavica. O uso da palavra “Arenaria” faz alusão às valas comuns nas quais escravos e criminosos eram enterrados, mas nunca cristãos. Para que os perseguidores não descobrissem as catacumbas, foram criadas entradas pela Arenaria, usadas para ocultar os corpos dos mártires e de fiéis similares. Aqui parecem ter permanecido até ao século IX.

Embora Melquíades tenha designado o dia, 8 de novembro, no século IV, e isso é reconhecido como tal no Sacramentário de Gregório 200 anos depois, e o Papa Honório, no século VII, construiu uma igreja em sua honra especial, aparentemente foi somente no século IX que o Papa Leão transferiu as relíquias dos nove dignitários para a igreja restaurada e embelezada no Monte Celio, agora chamada de Igreja dos “Santi Cuatro Incoronati”. Incoronati, em italiano moderno, é idêntico a Coronati, em latim medieval e clássico.

Observa-se que os nomes se tornaram confusos com o passar do tempo, e várias denominações foram atribuídas aos quatro e/ou aos cinco. Originalmente, a lenda menciona Claudius, Castorius, Simphorianus e Nicostratus, aos quais se acrescenta Simplicius. Os quatro restantes em uma das lendas mais antigas são Severus, Severianus, Carpophorus e Victorinus. Isso perfaz um total de nove (nove dignitários) sobre os quais não há motivo para descrer, nem a priori objeção prévia à veracidade perfeita da lenda. É evidente que, com o passar do tempo, os fatos da história se tornaram um pouco confusos e os nomes se misturaram, mas não há dúvida de que, desde os primórdios, os quatro ou cinco são comemorados no mesmo dia. Em um martirológio, o dia 8 de novembro é assim comemorado: “Senas ornantes idus vierito atque cruore, Claudi, Castori, Simplicii, Simphoriani, et Nichostrate pari fidgetis luce coronse.” Um dos primeiros escritores denomina-os fratres, mas não fica claro se ele se refere a fratres de sangue, de confissão ou fratres collegii.

Como é sabido, o Missal de Sarum, do século XI, apresenta os nomes tal como constam na Hagiologia de Arundel, mas os nomes variam muito nas diferentes lendas e livros litúrgicos. Algumas dessas diferenças são, sem dúvida, erros de transcrição, e outras atestam de forma notável a variabilidade e a incerteza da tradição. Por exemplo, encontramos Castulus, Semphorianus, Christorius, Significanus, Clemens e Cortianus, todos aplicados a alguns dos nove. Em alguns manuscritos, os cinco são encontrados, não os quatro; em outros, os quatro são mencionados, não os cinco. Nada pode ser decidido a partir dessa mutabilidade da lenda, nem mesmo argumentado com segurança.

Em uma das Constituições de Steinmetz, eles são simplesmente descritos como Claudius, Christorius e Significanus, enquanto na bela iluminura do Missal de Isabel aparecem apenas quatro (com os emblemas da Maçonaria operativa: o esquadro, o prumo, a colher de pedreiro e o malho), embora cinco sejam mencionados na oração comemorativa: Simphorianus, Claudius, Castorius, Simplicius e Nichostratus. Isso é explicado na lenda de Arundel pelo fato de Simplicius não ser um dos quatro originalmente, mas, sendo um colega de trabalho e secretamente desejoso de se tornar cristão, o qual foi batizado por Quirilo, o bispo, e assim sofreu o martírio com os outros quatro.

Pode-se observar aqui que a lenda é, em si mesma, puramente italiana em sua origem, embora tenha se espalhado provavelmente com as lojas maçônicas para a Alemanha, Gália e Grã-Bretanha.

Existem vários Acta e Gesta Quatuor Coronatorum antigos e várias lendas, martirológios e hagiologias especiais dos Coronati, e o assunto ainda requer estudo e ilustração, pois sem dúvida muitos manuscritos valiosos semelhantes permanecem desconhecidos e não comparados na Biblioteca do Vaticano, em outras maiores bibliotecas e até mesmo em coleções particulares de manuscritos. O Craft Inglês deve ao Sr. J. O. Halliwell Phillipps a introdução desta lenda antiga e a valiosa ligação entre a Maçonaria do passado e a Maçonaria do presente, conforme consta no “Poema Maçônico”.

A lenda de Arundel foi retirada de um belo manuscrito do século XII, conservado no Museu Britânico. A referência adequada é: Manuscrito Arundel, n.º 91, fólio 2186.

Existe também, outra cópia da lenda no Museu Britânico, no Manuscrito Harleian, n.º 2802, fólio 99. Encontra-se ainda, igualmente uma breve menção aos Quatuor Coronati no Manuscrito Begius, 8, c, 7, fólio 165, datado do século XIV.

No Manuscrito Harleian 2082, o nome de Simphorianus surge na forma Simphronius; enquanto no Manuscrito Regius os nomes são idênticos aos do Manuscrito Arundel, mas apresentados em ordem diversa.

Em Lives of the Saints, de Alban Butler, os Quatro Mártires Coroados aparecem sob os nomes de Severus, Severianus, Carpophorus e Victorinus. Butler acrescenta ainda: "cinco outros mártires, chamados Claudius, Nicostratus, Symphorianus, Castorius e Simplicius, que padeceram na mesma perseguição, jazem sepultados no mesmo cemitério." - A. F. A. Woodford.


AQUI COMEÇA A PAIXÃO DOS SANTOS MÁRTIRES CLAUDIUS, NICOSTRATUS, SIMPHORIANUS, CASTORIUS E SIMPLICIUS

TEMPORIBUS quibus Dioclitianus perrexit Pannonis, ad metalla diversa sua presentia de montibus abscidenda, factum est dum omnes artifices metallicos congregaret, invenit inter eos magne peritie arte imbutos homines nomine Claudium, Castorium, Simphorianum, Nicostratum, mirificos in arte quadrataria. Hi occulte, Christiani erant custodientes mandata dei, et quicquid artis operabantur in sculptura, in nomine domini nostri Ihesu Christi sculpebant.

Nos dias em que Diocleciano foi à Panônia, para estar presente na extração de vários metais das montanhas, aconteceu que, quando reuniu os operários do metal, encontrou entre eles alguns homens, chamados Claudius, Castorius, Simphorianus e Nicostratus, dotados de uma grande habilidade artística: maravilhosos operários na arte da escultura. Eram cristãos em segredo, guardavam os mandamentos de Deus e, qualquer que fosse o trabalho que realizavam na arte da escultura, faziam-no em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

Factum est quodam die imperante Diocletiano, ut simulacrum solis cum quadriga ex lapide thaso artifices cum omni argumento currum, equos vel omnia ex uno lapide sculperent. Eodem tempore omnes artifices cum phylosophis cogitantes, ceperunt artis hujus delimare sermonem. Et cum incidissent lapidem magnum et metallo thaso, nonconveniebat ars sculpture, secundum preceptum Dioclitiani Augusti.

Et multis diebus erat contentio inter artifices et phylosophos. Quadam autem die convenerunt in unum omnes artifices septigenti viginti duo, cum phylosophis quinque ad textem lapidis, et ceperunt venas lapidis perquirere, et erat mira intentio inter artifices et phylosophos. Eodem tempore Simphorianus confidens in fide quam tenebat, dixit ad co-artifices; Rogo vos omnes, date mihi fiduciam, et ego invenio cum discipulis meis Claudio, Simplicio, Nicostrato, et Castorio. Et querentes venam metalli cepereunt sculpere in nomine domini nostri Ihesu Christi artem, et bene consequebatur sculptura secundum preceptum Augusti.

Aconteceu que, certo dia, enquanto Diocleciano dava ordens aos operários para esculpirem uma imagem do sol, com sua carruagem, cavalos e tudo mais, a partir de uma única pedra, todos os operários, deliberando com os filósofos, começaram a aprimorar sua conversa sobre essa arte; e quando encontraram uma enorme pedra do metal de Tasos, sua arte da escultura não serviu para nada, de acordo com a ordem de Diocleciano Augusto.

Por muitos dias houve uma contenda entre os operários e os filósofos. Mas, em determinado dia, todos os operários se reuniram em um único local, setecentos e vinte e dois, com os cinco filósofos, na superfície da pedra, e começaram a examinar as veias da pedra, e havia um propósito maravilhoso entre os operários e os filósofos. Ao mesmo tempo, Simphorianus, confiando na fé que professava, disse aos seus colegas de trabalho: Peço a todos vocês que me deem sua confiança, e eu descobrirei, com meus discípulos Claudius, Simplicius, Nicostratus e Castorius. E, examinando as veias do metal, eles começaram sua arte de esculpir em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. E o trabalho deles foi bem-sucedido, de acordo com as ordens de Augusto.[1]

 

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Eodem tempore delectatus est Dioclitianus Augustus in arte et nimio amore captus precepit ut ex metallo porphyritico columnas vel capitella columnarum ab artificibus inciderentur. Et vocavit ad se Claudium, Simphorianum, Nicostratum et Castorium atque Simplicium. Quos cum gaudio suscipiens, dixit ad eos: Desidero per peritiam artis vestre capitella columnarum ex monte porphyritico incidi. Et ex precepto abierunt cum multitudine artificum et phylosophis. Venientibus autem eis ad montem porphiriticum qui dicitur igneus, ceperunt incidere lapidem in pedibus quadraginta uno.

Claudius omnia in nomine domini nostri Ihesu Christi faciebat, et bene sequebatur eum ars. Symplicius autem qui erat gentilis, omnia quecunque faciebat, non erant convenientia. Quodam autem die dixit ad Symplicium Nicostratus: Frater, quomodo tibi ferramentum tuum confringitur? Simplicius dicit, Rogo te tempera mihi ut non confringatur. Respondit Claudius, et dixit: Da mihi omne ingenium artis. Et dum dedisset oninem sculpturam ferri, dixit Claudius: In nomine domini Ihesu Christi, sit hoc ferrum forte, et sanum ad facienda opera. Et ab eadem hora cepit Simplicius omnen artem quadratariam cum ferramento suo, sicut Simphorianus beneet recte operari.

Ao mesmo tempo, Diocleciano Augusto deleitava-se com a arte e, tomado por um amor excessivo por ela, ordenou que colunas, ou capitéis de colunas, fossem esculpidos em pórfiro pelos operários. E chamou Claudius, Simphorianus, Nicostratus, Castorius e Simplicius, e, recebendo-os com alegria, disse-lhes: Desejo que os capitéis das colunas sejam talhados em pórfiro. E, por ordem sua, partiram com a multidão de operários e filósofos e, quando chegaram à montanha de pórfiro, chamada de ardente, começaram a talhar a pedra em quarenta e um pés.

Claudius fez tudo em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, e sua arte lhe foi muito útil. Mas Simplicius, que era gentio, tudo o que fazia era inútil. Mas, certo dia, Nicostratus disse a Simplicius: Meu irmão, como é que sua ferramenta está quebrada? Simplicius disse: Peço-lhe que o tempere para mim, para que não se parta. Claudius respondeu e disse: Dê-me todos os instrumentos da sua arte. E, depois de lhe dar suas ferramentas de entalhe, Claudius disse: Em nome do Senhor Jesus Cristo, que este ferro seja forte e adequado para o trabalho. E a partir daquele momento, Simplicius começou a esculpir com sua própria ferramenta, assim como Simphorianus, de maneira correta e adequada.[2]

 

Et ita sculpentes facturas diversi operis dabant studium, et bene sequebatur eos ars consilio erorum qui nihil per peritiam artis philosophie faciebant, nisi in nomine Christi operabanturnitide. Hoc videntes philosophi, suggestionem dederunt Dioclitiano Augusto dicentes: Summe prineeps et ornator seculi, magnum est consilium precepti vestri et mausuetudinis in opera montis designati, ut lapis pretiosus incidatur ad mirificum ornamentum reipublice vestre, et multa opera clara facte sunt in columnarum metallo, miroque labore serenitatis vestre. Dioclitianus Augustus dixit: Vere delector peritia horum hominum. Et fecit omnes quinque aspectibus suis presentari. Quibus letus ita dixit: Per virtutem deorum, qua sullimabo vos divitiis et donis, tantum sigilla precidite de monte hoc porphiritico. Et jussit victorias et cupidines et conchas iteruni fieri, maxime autem Asclepium.

E assim, eles se esforçaram em esculpir objetos de variada habilidade, e sua arte lhes foi muito útil, seguindo o exemplo daqueles que não faziam nada pela habilidade da arte da filosofia, mas realizavam trabalhos requintados em nome de Cristo. Quando os filósofos viram isso, fizeram uma sugestão a Diocleciano Augusto, dizendo: Poderoso Príncipe, adornador desta era, grande é a sagacidade de seu comando e clemência nesta obra de esculpir a montanha, para que as pedras preciosas fossem talhadas para o maravilhoso adorno de seu reino; e muitas obras belas foram feitas no metal das colunas e com o maravilhoso trabalho de Vossa Alteza. Diocleciano Augusto disse: Estou verdadeiramente encantado com a habilidade desses homens. E ele mandou que todos os cinco fossem trazidos à sua presença, aos quais, em sua alegria, ele disse assim: Pelo poder dos deuses, eu os elevarei com riquezas e presentes, apenas cortem primeiro as imagens desta montanha de pórfiro. E ele ordenou que fizessem imagens da Vitória, de Cupidos e mais conchas, mas especialmente uma imagem de Esculápio.

Et fecerunt conchas, victorias, cupidines et Asclepii simulacrum non fecerunt. Et post aliquantos dies obtulerunt opera sua in diversa ornamenta sigillorum. Similiter letificatus Dioclitianus Augustus in peritia artis quadratarie; dixit ad Claudium, Simphorianum, Nicostratum, Castorium, atque Simplicium: Gaudeo valde in studio artis vestre. Tamen, quare non ostenditis amorem, ut deum Asclepium cunctarum sanitatum dolaretis? Pergite nunc cum pace, et date operam in hoc simulacro. Et leones fundantes aquam, et aquilas et cervos et gentium multarum similitudinem operamini.

Tunc abierunt et fecerunt secundum consuetudinem et operati sunt omnia excepto simulacro Asclepii.

Post aliquos vero menses illi dederunt suggestionem Augusto Dioclitiano philosophi, ut videret opera artificum. Et jussit omnia in campo afferri. Et dum allata fuissent, Asclepius non est presentatus secundum preceptum Dioclitiani Augusti. Et dum nimio amore ipsum requireret, suggestionem dederunt philosophi Dioclitiano Augusto dicentes: Piissime Cesar et semper Auguste, qui omnes homines diligis, et es pacis amicus, sciat mansuetudo tua quia hos quos diligis Christiani sunt, et omne quicquid imperatum fuerit, in nomine Christi faciunt. Respondit Dioclitianus Augustus et dixit: Si omnia opera eorum in nomine Christi magnifica esse noscuntur, non est crudele sed magis gloriosum. Responderunt philosophi dicentes: Ignoras piissime, quia precepto pietatis tue, non obediunt, conscientia crudeli, et ideo noluerunt artis muniticentian in edificationem simulacrum dei Asclepii ostendere imaginem. Dioclitianus Augustus dixit: Deducantur ad me isti viri.

E eles esculpiram conchas, Vitórias e Cupidos, mas não fizeram uma imagem de Esculápio. E, após alguns dias, eles ofereceram suas obras de arte com suas variadas ornamentações. Diocleciano Augusto ficou igualmente satisfeito com a habilidade deles no trabalho de alvenaria. Ele disse a Claudius, Simphorianus, Nicostratus, Castorius e Simplicius: Regozijo-me muito com a habilidade da vossa arte, mas por que não demonstraram o vosso amor esculpindo uma imagem de Esculápio, o deus da saúde? Vá agora em paz e preste atenção a esta imagem, e crie leões derramando água, águias, veados e semelhanças de muitas nações.

Então eles foram embora e fizeram conforme o costume, realizando todo o trabalho, exceto a imagem de Esculápio.

Mas, após alguns meses, os filósofos sugeriram a Diocleciano Augusto que ele deveria ver o trabalho dos operários. E ele ordenou que tudo fosse levado para um local público e, quando foram levados, a imagem de Esculápio, que Diocleciano Augusto havia ordenado, não foi exibida, e quando ele, em seu desejo excessivo, exigiu isso, os filósofos fizeram uma sugestão a Diocleciano Augusto, dizendo: Glorioso e augusto César, que amais todos os homens e sois amigo da paz, que a vossa clemência saiba que esses homens que amais são cristãos e cumprem tudo o que lhes é ordenado em nome de Cristo. Diocleciano Augusto respondeu e disse: Se todas as suas obras são conhecidas como magníficas pelo nome de Cristo, isso não é motivo para repreensão, mas sim de admiração. Os filósofos responderam e disseram: Não sabeis, mui justo imperador, que eles não obedecem às vossas ordens bondosas, devido a um conhecimento repreensível, e por isso não exibiriam a magnificência da sua arte na construção de uma imagem do deus Esculápio? Diocleciano Augusto disse: Tragam esses homens até mim.

Et cum vocati fuissent Claudius, Simphorianus, Castorius, Nicostratus, et Simplicius, dixit ad eos Dioclitianus Augustus: Scitis quo affectu et gratia diligeret vos mansuetudo nostra, et pio amore vos foverim? Quare non obedistis preceptis nostris ut sculperetis de metallo porphiritico deum Asclepium ? Respondit Claudius: Pie semper Auguste, obedivimus pietati vestre, et servivimus claritati tue, imaginem vero hominis miserrimi nunquam faciemus, quia sic scriptum est: Similes illis fiant qui faciunt eo, et omnes qui confidunt in eis.

E quando Claudius, Simphorianus, Castorius, Nicostratus e Simplicius foram convocados, Diocleciano Augusto disse-lhes: Sabeis com que afeto e favor a nossa graça vos amou, e como vos encorajei com uma consideração amorosa? Por que não obedecem às nossas ordens de esculpir uma imagem do deus Esculápio em pórfiro? Claudius respondeu: Generoso Augusto, obedecemos à sua graça e nos submetemos ao seu poder, mas nunca faremos uma imagem daquele homem miserável, pois está escrito: “Aqueles que as fazem são semelhantes a elas, assim como todos aqueles que confiam nelas”.

Tunc exarserunt philosophi adversus eos, dicentes ad Dioclitianum: Piissime semper Auguste, vides perfidiam quomodo pietati vestre, superbo sermone loquuntur. Dioclitianus Augustus dixit: Non execrentur periti artifices, sed magis colantur. Philosophi autem dixerunt. Ergo serviant precepto pietatis vestre, aut nos invenimus qui faciant secundum voluntatem clementie vestre. Dioclitianus Augustus dixit: Inveniantur doctiores hujus artis? Philosophi dixerunt Nos procuravimus viros, religione suffultos. Dioclitianus Augustus ait: Si de hoc metallo procuraveritis ut deum Asclepium faciant, et hos sacrilegi pena constringit, et illi magni erunt apud nostram mansuetudinem.

Então os filósofos ficaram furiosos contra eles, dizendo a Diocleciano: Mui reverenciado Augusto, você vê a perfídia deles, como respondem à sua graça com palavras arrogantes. Diocleciano Augusto então responde: Artífices habilidosos não devem ser odiados, mas sim honrados. Mas os filósofos replicaram: Portanto, que eles obedeçam à sua ordem ou encontraremos outros que façam o que você deseja. Diocleciano Augusto disse: Acaso se poderiam encontrar homens mais peritos nesta arte? Responderam os filósofos: Trouxemos homens amparados pelo amor dos deuses! Diocleciano Augusto declara: Se trouxeste homens capazes de confeccionar a imagem do deus Esculápio a partir deste metal (e os obrigas sob pena de sacrilégio), também se tornarão magníficos mediante a nossa generosidade.

Tunc ceperunt philosophi cum Claudio, Simphoriano, Nicostrato, Castorio, et Simplicio, habere altercationem dicentes: Quare in arte vestro preceptis domini piissimi Augusti non obeditis et facitis ejus voluntatem ? Respondit Claudius et dixit: Nos non blasphemamus creatorem nostrum, et nos ipsos confundimus, ne rei inveneniamur in conspectu ejus. Philosophi dixerunt: Claruit quia Christiani estis. Dixit Castorius: Vere Christiani sumus.

Então os filósofos começaram a discutir com Claudius, Simphorianus, Nicostratus, Castorius e Simplicius, dizendo: Por que vocês não obedecem às ordens de nosso venerável mestre e fazem a sua vontade? Claudius respondeu e disse: Não blasfemamos contra nosso Criador e não nos confundimos, para não sermos considerados culpados aos Seus olhos. Os filósofos disseram: É evidente que vocês são cristãos? Castorius disse: Somos verdadeiramente cristãos.

Tunc philosophi elegerunt alios artifices quadratarios, et fecerunt sculpentes Asclepium ante conspectum suum. Et cum vidissent simulacrum ex metallo preconisso et protulissent ante philosophos, post dies triginta unum philosophi nuntiaverunt Dioclitiano Augusto Asclepium perfectum.

Então os filósofos escolheram outros trabalhadores em alvenaria, e eles esculpiram Esculápio diante dos seus olhos. E quando viram a imagem do metal quadrado [preconisso] e a levaram aos filósofos, após trinta e um dias os filósofos anunciaram a Diocleciano Augusto que a imagem de Esculápio estava concluída.

Et jussit Dioclitianus deferri simulacrum. Et miratus est, et dixit: Hoc artis ingenium ipsorum est, qui nobis in artis sculptura placuerunt. Philosophi dixerunt: Sacratissime princeps semper Auguste, hos quos declarat serenitas vestra in arte quadrataria peritissimos esse: id est Claudium, Simphorianum, Nicostratum, Castorium, et Simplicium, innotescat mansuetudini vestre, eos sacrilegos Christianos esse, et per incantationum carmina omne genus humanum sibi humiliari. Dioclitianus dixit: Si preceptis justitie non obedierint, vera est locutio suggestionis vestre, ferant sententiam sacrilegii.

E Diocleciano ordenou que a imagem lhe fosse trazida. E ele se maravilhou e disse: Este é o gênio daqueles homens que nos agradaram com sua arte da escultura. Os filósofos disseram: Santíssimo e sempre augusto príncipe, que seja do conhecimento de Vossa Clemência que estes homens, que Vossa Graça declara serem os mais hábeis na arte da alvenaria, chamados Claudius, Simphorianus, Nicostratus, Castorius e Simplicius, são cristãos hereges e, pelos encantos dos feitiços, toda a raça humana se humilha diante deles. Diocleciano disse: Se eles não obedecerem às ordens da justiça e a sua acusação for verdadeira, que eles suportem o julgamento dos hereges.

Et jussit cuidam tribuno Lampadio nomine, sub moderatione verborum cum philosophis audire dicens: Justa examinatione eos proba. Et in quos inventa fuerit querela falsi testimonii, reatus pena feriantur.

E ordenou a um certo tribuno, chamado Lampadius, que os ouvisse, juntamente com os filósofos, com palavras moderadas, dizendo: Julgue-os com um exame justo. E aqueles em quem for descoberta a queixa de falso testemunho, que sejam castigados com a punição da culpa.

Eodem tempore Lampadius tribunus jussit ante templum solis in eodem loco tribunal parari, et omnes artifices colligi, et Simphorianum, Claudium, Nicostratum, Castorium, et Simplicium, et philosophos. Ad quos publice et clara voce Lampadius tribunus dixit: Domini piissimi principes hoc jubentes dixerunt, ut veritate a nobis cognita inter philosophos et magistros, Claudium, Simphorianum, Castorium, Nicostratum, et Simplicium, clarescat si vera accusatio esset.

Ao mesmo tempo, Lampadius, o tribuno, ordenou que se preparasse um tribunal no mesmo local, diante do templo do Sol, e que todos os operários fossem reunidos, bem como Simphorianus, Claudius, Nicostratus, Castorius, Simplicius e os filósofos. Ao que Lampadius, o tribuno, disse em voz alta e pública: Nossos reverendíssimos senhores e príncipes deram esta ordem, a fim de que a verdade entre os filósofos e mestres Claudius, Simphorianus, Castorius, Nicostratus e Simplicius seja conhecida, e fique claro se esta acusação é verdadeira.

Inter partes clamaverunt omnes artifices quadratarii, invidiose moniti a philosophis: Per salutem piissimi Cesaris tolle sacrilegos, tolle magos. Videns autem Lampadius tribunus, quia invidiose clamarent artifices, dixit: Causa adhuc terminata non est, quomodum possum dare sententiam? Philosophi dixerunt: Si non sunt magi, adorent deum Cesaris. Continuo jussit Lampadius tribunus Simphoriano, Claudio, Castorio, Nicostrato, et Simplicio, adorare deum solem, ut destruatis consilium philosophorum. Qui respondentes dixerunt: Nos nunquam adoramus manuum nostrarum facturam, sed adoramus deum celi et terre, qui est imperator perpetuus et deus eternus, dominus Ihesus Christus. Philosophi dixerunt: Ecce cognovisti veritatem, renuntia Cesari. Tunc Lampadius tribunas jussit eos retrudi in custodia publica.

Então todos os demais operários, instruídos pelos filósofos por inveja, gritaram: Pela segurança do nosso reverenciado César, fora com os hereges, fora com os magos. Mas Lampadius, o tribuno, vendo que os operários gritavam por inveja, disse: O julgamento ainda não terminou; como posso proferir sentença? Os filósofos disseram: Se eles não são magos, que adorem o deus de César. Imediatamente, Lampadius, o tribuno, ordenou a Simphorianus, Claudius, Castorius, Nicostratus e Simplicius que adorassem o Deus Sol, para que pudessem confundir o propósito dos filósofos. Porém, eles responderam: Nunca adoramos a obra das nossas próprias mãos, mas adoramos o Deus do céu e da terra, que é o Governante e Deus Eterno, o Senhor Jesus Cristo. Em resposta filósofos disseram: Então, pois, adquiriste conhecimento da verdade, comunica-o a César. Então Lampadius, o tribuno, ordenou que fossem lançados na prisão comum.

Post dies vero novem, invento silentio renunciavit gestum Dioclitiano Augusto. Eodem die et philosophi accusabant eos invidiose priucipi dicentes, si hii evaserint perit cura deorum. Iratus Dioclitianus Augustus dixit: Per solem quod si non sacrificaverint deo soli secundum morem antiquum et monitis non obedierint, diversis et exquisitis eos tormentis consumam.

Mas, após nove dias, quando a calma foi restaurada, eles relataram o assunto a Diocleciano Augusto; no mesmo dia, os filósofos também os acusaram, por inveja, ao príncipe, dizendo: Se esses homens escaparem, a adoração aos deuses será destruída. Diocleciano Augusto disse, com raiva: Pelo próprio sol! Se eles não sacrificarem ao Deus Sol de acordo com o costume e não obedecerem às minhas instruções, eu os consumirei com torturas variadas e requintadas.[3]

 

Tunc Lampadius a tribunali surrexit, sonsiderans preceptum Dioclitiani, et iterum retulit rem gestam Dioclitiano Augusto. Tunc Dioclitianus Augustus artem eorum considerans, precipit Lampadio tribuno dicens; Amodo si non sacrificaverint et consenserint deo soli, verberibus scorpionum eos afflige. Si autem consenserint, deduc eos ad mansuetudinem nostram.

Então Lampadius levantou-se de seu assento de julgamento, considerando a ordem de Diocleciano, e novamente relatou o assunto a Diocleciano Augusto. Então Diocleciano Augusto, considerando sua arte, ordenou a Lampadius, o tribuno, dizendo: Doravante, se eles não tiverem sacrificado e consentido em adorar o Deus Sol, afligi-os com chicotadas de escorpiões. Mas se eles consentirem, conduza-os à nossa graça.

Post dies vero quinque iterum sedit in eodem loco ante templum solis, et jussit eos sub voce precona introduci. Et ostendit eis terrores et genera tormentorum. Quibus ita locutus est Lampadius tribunus dicens: Audite me et evadite tormenta, et estote cari et amici nobilium principum, et sacraficate deo soli. Nam jam loqui non est apud vos sermonibus blandis. Respondit Claudius unacum sociis, cum magna fiducia, dicens: Nos non pavescimus terrores, nec blanditiis frangimur, sed timemus tormenta eterna. Nam sciat Dioclitianus Augustus nos Christianos esse, et nunquam discedere ab ejus cultura.

Mas, após cinco dias, ele voltou a sentar-se no mesmo lugar em frente ao templo do Sol e ordenou que fossem conduzidos por ali pela voz do arauto. E ele mostrou-lhes os terrores e os vários tipos de torturas. A quem Lampadius falou assim, dizendo: Ouçam-me, e escapem das torturas e sejam queridos e amigos dos nobres e príncipes, e façam sacrifícios ao Deus Sol. Pois agora não me cabe falar com vocês com palavras gentis. Claudius, porém respondeu, junto de seus companheiros, com grande confiança: Não tememos terrores, nem nosso propósito é abalado por palavras suaves, mas tememos tormentos eternos. Que Diocleciano Augusto saiba que somos cristãos e que nunca abandonaremos a adoração a Deus.

Iratus Lampadius tribunus, jussit eos spoliari, et scorpionibus mactari sub voce precona dicens; precepta principum contemnere nolite.

Lampadius, o tribuno, enfurecido, ordenou que fossem despidos e açoitados com escorpiões, sob proclamação do arauto, dizendo: Não desprezeis as ordens dos nossos príncipes.

In eadem hora arreptus eat Lampadius tribunus a demonio, et discerpens so expiravit sedens in tribunali suo. Hoc audiens uxor ejus et familia cucurrit ad philosophos cum mugitu magno, ut divulgaretur Dioclitiano Augusto. Hoc cum audisset Dioclitianus Augustus, iratus est vehementer, et nimio furore dixit: Fiant loculi plumbei et vivi in eos recludantur et proiciantur in fluvium.

Na mesma hora, Lampadius, o tribuno, foi possuído por um espírito maligno e, dilacerando-se, expirou sentado em seu tribunal. Quando sua esposa e sua família ouviram isso, correram até os filósofos com grande lamentação, para que isso fosse levado ao conhecimento de Diocleciano Augusto. Quando Diocleciano Augusto ouviu isso, ficou violentamente enfurecido e disse com fúria excessiva: Façam caixões de chumbo, coloquem-nos vivos dentro deles e joguem-nos no rio.

Tunc Nicetus quidam thogatus qui assidebat Lampadio fecit preceptum Dioclitiani Augusti et fecit loculos plurabeos et vivos omnes in eis clausit, et precipitari jussit in fluvium. Sanctus autem Quirillus Episcopus hoc audiens in carcere, afflixit se vehementer et transivit ad dominum, qui omnes passi sunt sub die sexto Idus Novembris.

Então Nicetius, um certo cidadão que estava sentado ao lado de Lampadius, cumpriu a ordem de Diocleciano Augusto, fez caixões de chumbo, fechou todos eles vivos dentro deles e ordenou que fossem lançados ao rio. Mas o santo Quirilo, o bispo, ao tomar conhecimento do fato em sua prisão, foi tomado de profunda aflição e passou para o Senhor, assim como todos os que padeceram no sexto dia das Idos de novembro.

Ipsis diebus ambulavit Dioclitianus Augustus exinde ad Syrmen. Post dies vero quadraginta duos quidam Nichodemus Christianus levavit loculos cum corporibus sanctorum, et posuit in domo sua. Veniens vero Dioclitianus ex Syrmi post menses undecim ingressus est Romam, et statim jussit in thermis Trajani templum Asclepii edificari et simulacrum fieri ex lapide preconisso.

Naqueles mesmos dias, Diocleciano Augusto viajou dali para Sírmio. Mas, após quarenta e dois dias, um certo Nicodemos, cristão, levantou os caixões com os corpos dos santos e os colocou em sua própria casa. No entanto, Diocleciano Augusto, retornando de Sirmio após onze meses, entrou em Roma e imediatamente mandou erigir um templo a Esculápio nas Termas de Trajano, bem como confeccionar uma imagem a partir da pedra quadrada [preconisso].

Quod cum factum fuisset, jussit ut omnes militie venientes ad simulacrum Asclepii sacrificiis ad thurificaudum compellarentur; maxime urbane prefecture milites. Cumque omnes ad sacrificia compellerentur, quatuor quidam cornicularii compellebantur ad sacrificandum. Illis autem reluctantibus, nuntiatum est Dioclitiano Augusto. Quos jussit ante ipsum simulacrum ictu plumbatarum deficere. Qui cum diu cederentur, emiserunt spiritum. Quorum corpora jussit Dioclitianus in platea canibus jactari. Que etiam corpora jacuerunt diebus quinque.

Quando isso foi feito, ele ordenou que todos os soldados que se aproximassem da imagem de Esculápio fossem obrigados a oferecer incenso com sacrifícios, especialmente a milícia da cidade. E quando todos foram obrigados a fazer sacrifícios, certos quatro oficiais (cornicularii) foram obrigados, mas quando resistiram, isso foi comunicado a Diocleciano Augusto. E ordenou que fossem mortos diante da própria imagem com golpes da plumbata.[4] E quando foram espancados por muito tempo, entregaram o espírito, e Diocleciano ordenou que seus corpos fossem jogados na rua para os cães. E seus corpos permaneceram ali por cinco dias.

 

Tunc beatus Sebastianus noctu cum Sancto Melcbiade episcopo collegit corpora, et sepilivit in via Lavicana miliario ab urbe tercio, cum Sanctis aliis in arenario. Quod dum eodem tempore sed post duos annos evenisset, id est sexto Idus Novembris et nomina eorum minime reppariri potuissent; jussit beatus Melchiades episcopus ut sub nominibus sanctorum martyrum Claudii, Nicostrati, Simphoriani, Simplicii, et Castorii, anniversaria dies eorem recoleretur, regnante domino nostro Jhesu Christo, qui cum patre et spiritu sancto vivit et regnat deus per omnia secula seculorum. Amen.

Então, o abençoado Sebastianus, com o santo bispo Melquíades, recolheu seus corpos durante a noite e os enterrou na estrada para Lavica, a cinco quilômetros da cidade, junto com os outros homens santos no cemitério. Enquanto tais acontecimentos se davam, precisamente no sexto dia das Idos de novembro, dois anos depois: e seus nomes eram encontrados com grande dificuldade. O abençoado Melquíades, o bispo, ordenou que, em nome dos santos mártires Claudius, Nicostratus, Simphorianus, Simplicius e Castorius, fosse celebrada anualmente sua festa, reinando nosso Senhor Jesus Cristo, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina, Deus por toda a eternidade. Amém.

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[1] Nota do autor: O próximo parágrafo relata a finalização da obra em 25 dias, bem como as festividades que daí resultaram.

[2] Nota do autor: Os seis parágrafos seguintes descrevem: como Simplicius, ao investigar este mistério, foi instruído por Claudius nas verdades fundamentais do cristianismo, converteu-se e solicitou o batismo; como os artífices vivos visitaram o bispo Quirilo em sua prisão, que, após exame e exortação apropriados, batizou o catecúmeno; como retornaram ao trabalho “em nome de Jesus Cristo, com o sinal da Cruz”; como os filósofos os interrogaram sobre o sinal e os acusaram de praticar magia, como responderam, e como muitos dos operários estiveram à beira da conversão; como a obra foi apresentada ao Imperador, causando-lhe grande alegria; e como trabalhos adicionais foram ordenados e executados, para a consternação e ira dos filósofos, que, segundo certa passagem, parecem ter sido considerados instrutores dos artífices, mestres escultores ou construtores.

[3] Nota do autor: Os dois parágrafos que foram omitidos relatam como Lampadius confrontou novamente os cinco juntamente com os filósofos, e como estes mantiveram-se firmes e inquebrantáveis na fé, com Lampadius tentando persuadi-los sem sucesso.

[4] Nota do autor: Correias ou tiras de couro carregadas com esferas de chumbo.

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